Neste meu espaço aberto, está exposto um livro incompleto......

02
Jul 09

 

 

 

Aqui há três dias fiz-me à estrada, tentando colocar distância entre mim e mim próprio.

A distância entre o meu EU que deseja algo que não pode ter e o meu outro eu, aquele que se fez à estrada.

Desde o início da viagem que o meu primeiro EU tenta a todo o instante que a manobra de inversão da marcha tenha lugar, obrigando-me mesmo a imobilizações na berma da estrada que haverá de conduzir-me a algum lugar.

Bem a verdade é que o meu segundo eu conseguiu não se deixar convencer e como que aos solavancos a viagem continuou. Nas breves paragens, foi alimentado o corpo e o espírito e em por única vez os meus dois eus se encontraram, aquando da paragem para alimentar o espírito. Por momentos comungaram do mesmo objectivo. tornaram-se unos por assim  dizer.

Foi como que o encontro há muito desejado por dois amigos de infância que por motivos vários perderam o contacto e que por um mero acaso consegiram um dia reencontrar-se. Nem sempre estas coisas acontecem, nem sempre os facores se conjugam, mas há felizes coincidências que interferem e levam aacontecimentos desta natureza.

Posso dizer-vos que esta feliz coincidência, o reencontro entre os meus eus, ocorreu num local em que muita gente, multidões mesmo, frequenta de forma mais assidúa do que aquela que eu e mim próprio o tenho feito ao longo da minha vida.

Cada um tem as suas crenças, os seus credos, mas na realidade há-de haver muitos seres humanos, que circulando na auto-estrada que liga a capital do país à do norte, quando passa junto ao desvio para Fátima se sentirá tentada a abrandar a velocidade da viatura e dirigir-se àquele local mas serão mais as vezes que o não fazem. 

Foi o que fiz desta vez. Cheguei cedo, não havia muita gente, mas já havia quem de joelhos se arrastasse num percurso de fé, pedindo ou pagando as graças que julgam concedidas por nossa Senhora de Fátima.

Não foi a minha primeira vez, mas como em todas as outras o local, o ambiente envolve-nos e leva-nos à meditação.

Meditamos, nem que seja no motivo que move o ser humano cada vez mais materialista, egoista e egocentrista a deslocar-se áquele local e aì perante uma Imagem conseguir, muitas vezes a concentração e reafirmar a fé que foi perdendo ou esquecendo perante as agruras da vida real.

Foi mesmo aì que os meus dois eus se reencontraram e comungaram dos mesmos objectivos, embora de forma subjectiva.

Não discutiram o pára arranca que a viagem sofrera até aquele local, estiveram em uníssono.

Se tenho fé? Quase sempre, sim. Em que acredito? Acredito, por constatação de que no ser humano terá que existir algo mais que matéria. Designo esse algo mais por alma, assim me foi ensinado. Algo que fará a ligação entre o raciocnio lógico e cerebral e a as atitudes que imputamos de ilógicas que cada um pratica  tais como os sentimentos. Podemos condicionar o cérebro é certo, impondo-lhe regras e outra fórmulas mas que leva dois seres humanos criados sob as mesmas condicionantes a reagir de diferente forma? A individualidade? Sim, claro, mas aquela diferença mínima perante factos de onde provem?

Segui a viagem em paz, após cumprir os rituias que aquele lugar quase impõe.

Durante horas não houve conflito, mas a realidade é mais forte e cada um dos meus eus tende a impôr a sua razão e eis-me perante a questão que me fez ligar esta maravilhosa máquina infernal com o objctivo de me ler a mim próprio ou seja de transcrever o turbilhão de palavras que afluem, de forma nem sempre ordenada, e muitas vezes em contradição, ao pensamento.

Cada um de nós precisa, em determinados momentos da sua vida encontrar o seu ponto de equilíbrio e foi nessa base que me fiz à estrada. 

Concluo afinal que cada um do meus eus tem as suas razões e também que a viagem me trouxe a lugar nenhum.

Este não é o meu caminho, não é o meu destino, o meu ponto de chegada.

Terei durante a viagem encontrado um local de coincidências, mas não se vive num Santuário em permanência. Podemos talvez criar um detro de nós e ai nos recolhermos amiúde. E foi desse meu local que decidi:

Devo regressar e no campo de batalha onde os meus eus lutam,esgrimem razões, decidir qual deles será o vencedor, sabendo de antemão que seja qual for aquele que ficar por cima, não esquecerá jamais que o outro existe.

  

 

 

 

                     

  

 

publicado por noitesemfim às 07:11

Olá :)

Gostei imenso do teu texto! Revi-me na dualidade dos "teus eus".

Acima de tudo acredito que já é muito bom termos a noção que existem. Quantas pessoas não param e se auto-analisam periodicamente? Quem tem essa capacidade já tem muito, e tu revelas te-la. Que as manobras da tua vida não passem disso mesmo e que um dia destes, finalmente estaciones, puxes o travão de mão e sintas o tão desejado ponto de equilibrio.

Beijinhos
Sheila a 3 de Julho de 2009 às 01:19

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