Neste meu espaço aberto, está exposto um livro incompleto......

22
Ago 10

A lua no teu rosto

Levanto o olhar sobre o teu, tentando ver o fundo
E subitamente a luz pálida do quarto minguante
Como que num sorriso sem sombras
Mostra-me o teu rosto, arquejante ainda

Abrem-se teus olhos, quais janelas
E ilumina-se o teu rosto, perante o meu
Apenas a luz difusa da lua é testemunha
Do voo em arco que os corpos descrevem

E assim, de olhos abertos à noite, após outra
Aceleras o teu ritmo que o meu desejo quer

E num final previsto e sempre incerto, mas certo

Milhões de estrela iluminam as galáxias

E no amanhã da tua vida e não da minha
Deixo-te o azul de um mar diferente, o dos meus olhos
E dentro de mim ficará o sabor do teu corpo
O mel que me deste foi quanto me podias dar

Noutros mares e os continentes o queria ter
E nessa certeza, a incerteza de uma chegada
Breve ou distante, mas doce seria poder abraçar-te
E no teu ventre descansar a minha mão, em terra minha

Ali, também a lua traça caminhos nas águas
Também as estrelas brilham em olhos, mesmo nos teus
E o mel que bebi neles outro sabor teria
Assim o destino tenha traçado nossos rumos

publicado por noitesemfim às 07:06

11
Ago 10

FOR YOUR EYES ONLY

 

Sinto que estás perto do sonho

Olha, estica a tua mão e segura-o

Não, não o deixes ser fumo

E nem água, nem areia

Que nenhuma mão segura

Eu,eu escrevo com uma parte do meu corpo

A que me há-de um dia, fazer sucumbir

É dali que jorram as palavras

E depois é só por pontos e virgulas

E às nem isso faço, não há tempo

Mas agora penso e claramente vejo

Tenho o que preciso

De seguida interrogo-me, mas tenho eu o que quero?

Será que sempre fui e nunca fui

Que ainda sou e nunca serei

Sempre que estou e não me encontro

Mas agora sou, sim agora sou

Não porque queira apenas ser

Mas porque me impele a natureza

E nem a desdita me fará recuar

Venha uma tempestade ou mesmo mil que sejam

Esperarei pela bonança porque ela sempre chega

Sempre!

publicado por noitesemfim às 15:23
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Este calor que queima por dentro

Não acalma nesta chuva que abrasa

Deixo escorrer a água pelo corpo

Encharco até os sentidos

E desnudo-me perante a noite

Sopra cálido vento nesta enseada

E nela se reflectem as estrelas

Mas é uma chuva morna

Da qual escorrem lentamente

Pequenos segredos que não encaixam

Não importa e nem interessa, eu sei

O importante era recolhê-los, colá-los

Fazer de pequenos, apenas um, grande

E depois, depois abri-lo, revelá-lo

Deixá-lo não ser segredo, mas despontar

À luz do sol, da lua ou das estrelas

Mas esta vontade não é constante

Tem tempos, sempre teve e tem

Como eu tenho momentos, ela os tem

Quem sabe, talvez um dia

Quem sabe?

Só eu saberei mas ainda não

Sinto que agora não é o tempo

E dói

publicado por noitesemfim às 12:31

01
Ago 10

 

 

Esta pele que envergo, desde o ventre da minha mãe

Sinto-a plena de cheiro a mar sem que este a tenha beijado cedo

Mais seria o sabor da terra que dela devia exalar

Pois foi mais da terra o calor, que primeiro a banhou.

 

Esta pele que envergo desde o ventre da minha mãe

Recebe o sol em todos os areais e mantos verdes

Envolve-se nas cálidas águas de mares que nunca antes conheceu

E devolve em forma de exalo suas doçuras e cores

 

Esta pele que envergo desde o ventre da minha mãe

Pele única que alberga sem pecado e sem razão, amarguras

E sem que lhe seja dito deixa-as entrar em mim

E de mim sai por esta pele sem que possa evitar, o amor

 

Esta pele que envergo desde o ventre da minha mãe

Guarda em mim a dor, se ela existe e num continuar contínuo

Por esta pele apenas sai agora, o que de melhor eu trouxe

Do cálido e doce aconchego do ventre da minha mãe.

 

 

 

 

 


publicado por noitesemfim às 10:06

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