Neste meu espaço aberto, está exposto um livro incompleto......

16
Jul 09

Seguiu as suas pegadas leves, na areia branca da praia deserta. Não era preciso levantar o olhar, sabia exactamente onde elas se dirigiam.

Fora acertada a hora e o local.

O local era aquele, numa praia, a hora, o pôr do sol.

Quando a arriba deixou ver mar, viu-a, pés na areia molhada pelo ir e vir da espuma branca das ondas de maré calma naquele fim de tarde ameno, parada olhando o horizonte. O seu cabelo esvoaçava levemente embalado pela ligeira brisa vinda do oceano.  

Como que extasiado na deslumbrante imagem dela, esperou parado que ela se voltasse e o visse. A percepção de que era ali o seu porto, havia-o impulsionado, quase voando até aquele encontro.

Calmamente ela voltou-se e sorriu e a distância que ainda os separava ficou reduzida a nada. 
Como quem encontra saudoso amigo de longa data ou mesmo amor de vida toda, as mãos de ambos estenderam-se e tocaram-se e depois foram os corpos que se entregaram a um longo e terno abraço.

Ainda sem palavras ditas, ficaram a olhar-se durante um tempo que pareceu uma eternidade, porque pensavam saber antecipadamente o que iriam dizer um ao outro, mas na quela serenidade amena apenas os olhos falaram.

Com o olhar, disseram-se da urgência do toque, do afago na pele suave, do carinhoso afagar do cabelo, do beijo no pescoço, do acelerar da repiração, da excitação do toque das mãos pelo corpo inteiro, da entrega ao desejo até que este fosse saciado.

Num só olhar o mundo girou, o mundo de ambos se transformou . Barreiras ruiram, castelos construidos, pelas pedras que ambos houveram apanhado nos seus caminhos que nunca antes se houveram cruzado.    

Caiu a noite, ergueu-se a lua traçando nas águas calmas um caminho até aos milhões de estrelas que brilhavam no firmamento.

E foi nessa praia que se amaram pela primeira vez, corpos unidos, suados, indiferentes à ligeira maresia e uma e outras vezes, paixões em lume aceso com labaredas de gigantesca necessidade, abandonando-se ambos um ao outro.

Em breve o sol nasceu, e a estrada taçada pela lua, em direcção ao firmamento se alargou e o mar que havia sido de prata tornou-se em verde esmeralda.

De mão na mão, de coração com coração, as pegadas, agora lado a lado, foram-se afastando da beira-mar, com a certeza de ali voltar. Tal como a certeza de qua as suas vidas seguiriam para sempre lado a lado com as pegadas deixadas na areia daquela praia. 

 

publicado por noitesemfim às 15:07

Lindo, lindo...

Adorei a forma como descreveste o encontro, os pormenores, o desenvolvimento...

Foi como que ver e viver a situação.

Muito bom!!Parabéns!!

Bj
Margarida
MIGUXA a 17 de Julho de 2009 às 01:10

Minha amiga por vezes a imaginação leva-nos tão longe....

Beijo
noitesemfim a 17 de Julho de 2009 às 12:45


Lindo o encontro, na areia suave da praia e o cheiro da maresia do mar, sonolento e brando.

Lindo o teu texto, com esse encontro único e o caminhar em conjunto, por um tempo a não
definir, a não julgar, apenas amar...

Adorei encontrar-te!

Com amizade,

Mª. Luísa
M.Luísa Adães a 17 de Julho de 2009 às 10:00

Minha amiga a "imagem" que desenvolvi foi a de" chegar à vez e partir junto", sem limites temporais , a paixão refletida é a que resulta da necessidade de proximidade.

Cumprimentos


Entendo o teu desejo de fugir aos limites temporais que nos tiram a liberdade

de encontrar o que tanto procuramos " A Felicidade num estado atemporal".

Obrigada por responderes.

Com amizade,

Maria Luísa

Por vezes,tantas vezes ou demasiadas vezes é apenas num milésimo de segundo que ela, a felicidade nos escapa ou que a encontramos. Sinais são apenas os sinais que é preciso sentir.

Com amizade,

João


"Pegadas em areia branca"

Quero que saibas que gostei do que escreveste e tenho dado provas disso, através do
pouco ou do muito que escrevo.

Não há medida no tempo que conte o aparecimento dela e darmos por ela...de forma
subtil, sem respirar para ela não voar e desaparecer do nosso sentir.
E tanta Paz nos dá...
Fosse ela
A minha Paz
E a tua também,
Nas agruras da Vida!

Obrigada por responderes,

Maria Luísa













Mª Luisa, obrigado por me leres e por comentares

A partir de certa altura adoptei este objectivo:

"Encontra a tua Paz e a vida será preenchida"

Não tem sido fácil mas é este o meu caminho, o resto virá depois.

João


Aí está uma filosofia que me agrada, mas não tenho forma de a encontrar, para mim!

lamento por mim!

Mª. Luísa

Não receis, não temas, amiga faz como eu gosto de dizer SÊ

João
noitesemfim a 18 de Julho de 2009 às 16:01

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